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Análise de Dados

Onde o brasileiro mais gasta com cartão de crédito? [Análise de 50 mil contas]

Alimentação e transporte dominam a frequência, mas é o gasto recorrente digital que mais cresce. Uma leitura por categoria, faixa de renda e ticket médio.

Ilustração do artigo: Onde o brasileiro mais gasta com cartão de crédito? [Análise de 50 mil contas]
Por Helena Braga2 min de leitura432 palavrasRevisado por especialista: Marina Yokoi, economista
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Analisamos uma amostra agregada e anonimizada equivalente a 50 mil contas de cartão de crédito ao longo de doze meses. O objetivo não é dizer onde você deveria gastar, mas mostrar onde o gasto efetivamente acontece — e onde ele escapa do controle sem que ninguém perceba.

A distribuição do gasto por categoria

Participação no valor total faturado por categoria

Percentual do valor total. Amostra agregada de 50 mil contas ao longo de 12 meses.

Unidade: %

Supermercado lidera em valor, o que era esperado. A surpresa está em assinaturas: 9% do valor total, mas presente em 78% das contas da amostra. É a categoria com maior razão entre frequência e visibilidade — quase todo mundo paga, quase ninguém sabe quanto.

Frequência versus ticket médio

Frequência mensal e ticket médio por categoria
CategoriaTransações/mêsTicket médioRecorrente?
Supermercado6,2R$ 187Parcial
Restaurantes e delivery11,4R$ 62Não
Transporte por app9,8R$ 24Não
Assinaturas digitais4,1R$ 39Sim
Saúde e farmácia2,7R$ 121Parcial
Frequência mensal e ticket médio por categoria

Delivery e transporte são o par que mais distorce a percepção de gasto. Ticket baixo e alta frequência produzem o que a economia comportamental chama de subestimação por fracionamento: somamos mal quando o valor chega em pedaços pequenos.

Recorte por faixa de renda

  • Até 3 salários mínimos: 41% do faturamento em supermercado e farmácia; maior uso de parcelado sem juros em itens essenciais.
  • De 3 a 8 salários mínimos: perfil mais equilibrado, com pico em restaurantes e educação.
  • Acima de 8 salários mínimos: viagens e serviços representam quase um quarto do valor, com maior taxa de pagamento integral da fatura.

Limite metodológico

Amostras de cartão excluem quem não tem cartão. Qualquer conclusão aqui descreve a população bancarizada com crédito rotativo ativo, não o consumidor brasileiro médio.

O que fazer com esses dados

  1. Exporte a fatura em CSV e classifique três meses de gastos — a maioria dos apps permite exportação.
  2. Compare a sua distribuição com a da amostra e procure a categoria com maior desvio.
  3. Ataque primeiro o gasto recorrente invisível, não o gasto grande e visível.

Cortar uma assinatura de R$ 39 parece irrelevante diante de uma compra de R$ 800 no supermercado. Mas a assinatura se repete doze vezes por ano sem decisão consciente, enquanto a compra é revista todo mês. Recorrência é o que compõe — para o bem e para o mal.

Fontes consultadas

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