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Análise de Dados

Stablecoins: onde está o risco que o nome esconde

Elas prometem paridade com o dólar. Analisamos a composição de lastro, os episódios de perda de paridade e o que a regulação em construção pretende exigir.

Ilustração do artigo: Stablecoins: onde está o risco que o nome esconde
Por Helena Braga2 min de leitura356 palavrasRevisado por especialista: Rodrigo Sampaio, CFA
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O nome sugere estabilidade. A estrutura, porém, é a de um fundo de investimento que promete resgate ao par e que, na maioria dos casos, não oferece nem a supervisão nem o seguro de depósito que um banco oferece.

Três modelos, três riscos diferentes

Tipos de stablecoin e a natureza do risco de cada um
ModeloLastroRisco principal
Colateralizada em moeda fiduciáriaDepósitos e títulos curtosRisco de custódia e de contraparte
Colateralizada em criptoCripto sobrecolateralizadaLiquidação forçada em quedas rápidas
AlgorítmicaNenhum lastro externoEspiral de perda de confiança
Tipos de stablecoin e a natureza do risco de cada um

O terceiro modelo já produziu o colapso mais estudado do setor. A lição extraída pela literatura é direta: um mecanismo que depende de demanda contínua para sustentar a paridade não é estável, é reflexivo.

O que observar na composição do lastro

  1. Percentual em títulos públicos de curtíssimo prazo
  2. Percentual em depósitos bancários e em quais instituições
  3. Existência de papéis corporativos de crédito privado
  4. Frequência e independência da auditoria divulgada
  5. Direito contratual de resgate ao par e por quem

Analogia

Uma stablecoin é uma ficha de estacionamento. Ela vale o carro que está lá dentro — e apenas se o manobrista devolver.

Regulação em construção

A tendência regulatória internacional converge para exigências de composição de reserva, segregação patrimonial e direito de resgate. No Brasil, o processo de regulamentação de prestadores de serviços de ativos virtuais caminha na mesma direção, com foco em segregação de recursos de clientes.

Apesar dos riscos, é justo reconhecer a utilidade prática do instrumento: liquidação quase instantânea, disponibilidade fora do horário bancário e acesso a dólar em jurisdições com fricção cambial. O erro é tratar uma ferramenta de liquidação como se fosse uma reserva de emergência.

Antes de manter saldo relevante

  • Verifique quem custodia as reservas
  • Leia o relatório de atestação mais recente
  • Confirme se o resgate ao par é contratual
  • Considere o risco de congelamento de endereços
  • Não use como substituto de reserva de emergência

Fontes consultadas

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